ASA: comunidades agrícolas se recuperam por meio da resiliência

A pandemia da COVID-19 causou estragos nas cadeias de suprimento de moda em todo o mundo. Na Índia, os pequenos produtores de algodão estão sofrendo o peso de uma queda significativa nos pedidos. A Action for Social Advancement (ASA), parceira de longo prazo da Laudes Foundation, está ajudando agricultoras e agricultores indianos a lidar com os severos choques de mercado. 

A iniciativa está utilizando recursos do Fundo de Emergência da Laudes Foundation, estendido em abril a todos os parceiros afetados pela crise da COVID-19. O Fundo já apoiou cerca de 500.000 pessoas em todo o mundo e permite que os parceiros de base continuem seu trabalho essencial. 

Quando a crise atingiu a Índia, o país vivenciou um grande número de migrantes que saíram das grandes cidades rumo aos seus lares na zona rural, foi quando a ASA percebeu que essas famílias precisariam de ajuda. As economias rurais não estavam preparadas para isso e, segundo algumas estimativas, a situação poderia não voltar ao estado normal até novembro. A ASA entrou em ação para ajudar agricultoras e agricultores a lidar com a crise inicial e construir resiliência para a próxima estação de plantio. 

Nos últimos anos, a ASA vem estabelecendo Organizações de Produtores Agrícolas (FPOs), grupos de nível comunitário que organizam agricultoras e agricultores para que tenham acesso aos mercados coletivamente. A ASA promoveu e fomentou mais de 300 instituições baseadas na comunidade, incluindo 57 grandes empresas produtoras agrícolas e uma federação de organizações em nível estadual que abrange mais de 150.000 famílias de pequenos agricultores. As FPOs estavam prontas para intervir junto aos agricultores para ajudá-los a adquirir materiais a um preço comparável ao do ano passado, mas o custo para fazê-lo, nas condições atuais, os expôs a um risco financeiro significativo. “Este foi um grande exemplo de instituições comunitárias cuidando de si próprias. Ele inspirou a fé e mostrou a força das instituições de agricultores”, disse Ashis Mondal, diretor da ASA.

A ASA buscou empréstimos com taxas de juros mais baixas e, ao trabalhar com a Range De, ONG com sede em Bengaluru, conseguiu arrecadar quase 350 mil euros para chegar a 200 agricultores. Um programa para angariar fundos em um dos principais canais televisivos da região destacou a necessidade de empréstimos sem juros para a comunidade agrícola. As FPOs empregaram cerca de 175 mil euros de seus próprios fundos e a ASA criou um fundo de mitigação de riscos para cobrir até 15% de quaisquer perdas. Esse fundo captou mais um milhão de euros em capital de giro para as FPOs de três instituições financeiras não-bancárias. O apoio do fundo de emergência da Laudes Foundation foi alavancado para catalisar essas iniciativas de financiamento e possibilitou empréstimos entre agricultores sem juros. O acesso a diversos financiamentos a custos mais baixos de capital fortalecerá essas instituições a partir do zero para uma viabilidade de longo prazo. 

Mais amplamente, os fundos estão ajudando a ASA a vincular comunidades a um programa nacional de emprego, proporcionando aos trabalhadores migrantes e sazonais rendimentos garantidos enquanto a economia se recupera.  A ASA tem apoiado cerca de 56.000 famílias, um número que é crescente, com oportunidades de geração de renda, permitindo a implementação efetiva de políticas. O Mahatma Gandhi National Rural Employment Guarantee Scheme (MGNREGS), programa de emprego do governo, é fundamental para lidar com a escassez de emprego nestas condições incertas, especialmente para os trabalhadores migrantes que retornam para casa, gerando empregos assalariados e ativos produtivos para o desenvolvimento da terra e dos recursos hídricos. A equipe da ASA na região está ajudando a governança local com a mobilização da comunidade, conscientização e planejamento no local de trabalho. Ashis Mondal acrescenta: “Nossa resposta à Covid-19 não é apenas para a crise atual, é para redefinir nosso futuro através da revisão dos sistemas em que operamos”.


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